PODE UM CRISTÃO PRATICAR ARTES MARCIAIS?

J. Oropeza

Um assunto controvertido no cristianismo de hoje é se um cristão pode ou não praticar artes marciais. Há três pontos de vista básicos. Pra obtermos uma perspectiva sobre este assunto, vamos considerar cada um brevemente.

Primeiro, alguns dizem que, por causa de sua origem não cristã (o misticismo oriental), nenhuma forma de arte marcial deveria ser praticada por cristãos. Entretanto, uma origem não cristã por si só pode ser um fundamento insuficiente para se rejeitar as artes marciais, uma vez que este ponto de vista comete o que chamamos de “falácia genética”. Este erro pressupõe que uma vez que a origem de uma crença ou prática estava errada, sem considerar seu desenvolvimento, ela ainda continua errada até hoje.

De fato, se fôssemos coerentes ao aplicar esse tipo de lógica, nós deveríamos abandonar a astronomia, porque suas raízes encontram-se na prática da astrologia. Cremos que, com política, ao invés de cometermos a falácia genética, seria melhor tentar verificar o quanto de influência as crenças originais podem ter sobre um objeto de discussão, antes de descartá-lo prematuramente.

O segundo ponto de vista afirma que, contanto que o cristão separe os aspectos religiosos (misticismo oriental) das artes marciais, ele pode praticá-las. Para avaliarmos este ponto de vista, precisamos examinar brevemente algumas das principais ramificações das artes marciais.

Aikidô. Aikidô significa “o caminho para a união com a força universal”. Essa força impessoal é conhecida como “chi”. O objetivo do Aikidô é controlar tanto a si mesmo como o ambiente. Ironicamente, esta arte marcial é a mais compatível com o cristianismo no que diz respeito à sua natureza não violenta, contudo – por outro lado – ela está imutavelmente mergulhada no misticismo oriental.

Judô e Jiu-jítsu. O Judô envolve técnicas de agarramento e lançamento ao chão. O Jiu-jítsu concentra-se em travar as articulações humanas e ocupa-se com as maneiras de dar golpes e manobras. Ambas as formas tem uma ênfase espiritual muito fraca.

Karatê. O Karatê envolve meditação que, normalmente, inclui o esvaziamento da mente da pessoa de todas as distrações externas. É nesse ponto que o Karatê torna-se perigoso. Entretanto, uma vez que o Karatê é, primariamente, uma arte marcial física, o aspecto da meditação pode ser separado dele.

Kung Fu. O kung Fu é muito diversificado. Há diferentes estilos de Kung Fu. As formas mais tradicionais seguem de perto às suas raízes filosóficas budistas, enquanto as formas menos tradicionais concentram-se mais nos aspectos físicos. Geralmente, o Kung Fu é mais místico do que o Caratê.

Ninjitsu. De modo geral, o Ninjitsu não é compatível com o cristianismo. Os ninjas tentam assimilarem-se a si mesmos com a natureza a fim de serem mais dissimulados, escondidos. A cosmo visão por trás do Ninjitsu é o panteísmo (tudo é Deus), que contradiz a visão cristã de que Deus não é o universo, mas o Criador do universo (Gênesis 1.1-2).

Tae Kwon Do. O Tae Kwon Do é uma forma de arte marcial orientada para o esporte e o físico. É uma das formas de defesa pessoal oriental mais compatíveis com o cristianismo.

Tai Chi Chuan. O Tai Chi Chuan envolve a prática do taoísmo. Com o objetivo de alcançar o bem estar físico, o praticante de Tai Chi Chuan deve estar harmonizado com o universo ao concentrar-se abaixo da parte central do corpo (o umbigo) – tido como o centro psíquico do corpo. O Tai Chi Chuan não pode ser conciliado com o cristianismo.

Em vista do exposto acima, fica claro que certas artes marciais não podem ser separadas da sua cosmovisão oriental, enquanto outras podem. O Aikido, o Ninjitsu e o Tai Chi são os mais incompatíveis com o cristianismo.

Em última análise, se o cristão vai ou não participar de uma destas artes marciais que podem ser conciliadas com o cristianismo depende em grande parte do instrutor. Se o instrutor promove o misticismo oriental, o cristão deve deixar a escola. Se o instrutor separa a prática da arte marcial da filosofia por trás dela, então o cristão talvez possa, em boa consciência, participar.

Um terceiro ponto de vista é o de que as artes marciais não são compatíveis com o cristianismo por causa de sua natureza violenta. Esta é uma posição legítima pois, muitas passagens na Bíblia falam contra a violência (Mateus 26.52). Entretanto, outros cristãos chamam a atenção para o fato de que, quando Jesus falou com os soldados, ele não disse que um combate fosse moralmente errado (Mateus 8.5-13). Além do mais, Jesus instruiu seus discípulos a tomarem uma espada defensiva com eles na época em que seu aprisionamento pelas autoridades se aproximava (Lucas 22.36). O apóstolo Paulo indica que há um uso legítimo da força pelo governo ao punir os malfeitores (Romanos 13.1-5).

Os versículos acima levaram muitos cristãos a concluir que a Bíblia não condena a autodefesa e que o uso da força, algumas vezes, é justificável. Apesar de apoiarmos este ponto de vista, reconhecemos que o assunto da autodefesa é um daqueles que deve ser determinado pela consciência de cada crente, individualmente.

Recomendamos que o cristão tenha em mente os seguintes fatores, caso resolva praticar uma arte marcial:

Primeiro, o cristão deve estar ciente de que, sendo esta uma área controvertida, ele deve ser cuidadoso para não causar tropeço a um irmão mais fraco (Romanos 14).

Segundo (principalmente para os jovens), o cristão deve resistir à tentação de começar uma briga.

Terceiro, o cristão não deve permitir que uma arte marcial enfraqueça seu compromisso com Cristo (Hebreus 10.25).

Finalmente, o cristão deve orar e examinar sua consciência e seus motivos para se envolver com as artes marciais.

Estes passos assegurarão que o envolvimento de alguém com uma arte marcial seja feito com base numa motivação bem refletida e não com base em motivos fúteis.

Extraído do Christian Research Newsletter, volume 4, Issue 1, p. 6.

ARTES MARCIAIS

São esportes de luta, tais como Karatê, Kung Fu, Tai Chi Chuan, Judô, Jiu-Jitsu e Aikidô, cujo início data de quase 3.000 a.C. A variedade estilos é unificada por um centro espiritual com raízes no taoísmo e budismo. Acredita-se que o monge budista Bodhidharma foi o inventor das artes marciais. O significado religioso dessas lutas está na harmonização das forças da vida (yin e yang) e a habilidade de captar e utilizar o chi. Os mestres das artes marciais são capazes de realizar tremendas proezas físicas. A habilidade de socar ou chutar com grande força física ou de quebrar uma pilha de tijolos com um único golpe é atribuída ao chi. Muitas pessoas que praticam artes marciais fazem-no sem consciência da natureza religiosa de tais esportes, mas apenas com interesse em adquirir um bom preparo físico e capacidade de autodefesa.

Extraído do Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. Editora Vida.

 

18 Comentários

  1. Prático arte marcial, e consigo separar o lado mistico e religioso, mesmo pque meus instrutores respeitam todos os alunos cristãos.

    Jesus está acima de tudo e todos.

  2. Muito bom artigo! Bem esclarecedor. Treinei Kung Fu por um tempo quando era adolescente, meu pai ja era cristão na época, quando visitou a academia onde eu treinava, viu a quantia de armas brancas e quadros idólatras, altares, velas, daí ele me proibiu de frequentar a academia, por conta desse perigo espiritual.
    Hoje entendo o lado dele, e também entendo os riscos ao se envolver com o misticismo, pois no Kung Fu é bem enfatizado, até na maneira de nos saudarmos, era de forma religiosa.

  3. Bom, esclarecendo, hoje não vejo problema algum de um cristão praticar o Kung Fu, desde que não se envolva com a espiritualidade passada por eles, e também numa academia que respeite alunos cristãos que não desejam se envolver com esses ritos e meditações religiosas.

  4. GLÓRIAS A JESUS. MARAVILHOSO É LER UM ESTUDO MARAVILHOSO COMO ESSE. EQUILIBRADO COM A TOTAL PREOCUPAÇÃO DE NÃO PERDEMOS A INTIMIDADE COM O NOSSO DEUS. OBRIGADO POR VCS EXISTIREM E POR SER UM CANAL DE DEUS PARA NOS MANTER NO NOSSO FOCO QUE É JESUS. QUE O SENHOR JESUS CRESÇA E NÓS DIMINUAMOS. ABRAÇOS NA PAZ DO SENHOR JESUS.

  5. Boa tarde! Gostei muito do artigo por apontar os cuidados que o cristãos devem ter ao escolher praticar ou não uma arte marcial de forma a não ser passional. Li vários artigos e muitos usavam passagens bíblicas que em qualquer momento iam contra a pratica de artes marciais para justificar o NÃO PRATICAR dessas, demonstrando que não houve um cuidado em conhecer as diferenças em cada uma de suas culturas, praticas e objetivos, e somente tentando condená-las. Sou cristão, já conheci e pratiquei algumas artes marciais e acredito que o principal ponto a ser observado é o objetivo da arte marcial. O Ninjutsu e o Kung Fu, de modo geral, apregoam muito misticismo, ja o Karatê (o qual ja pratiquei) é mais físico, e o fato de se esvaziar a mente e fazer as meditações tem o objetivo de realmente não vermos as pessoas como inimigas e nos livrarmos de sentimentos ruins, não para nos conectar à um “ser superior”, contudo, é fato que a forma de se defender é incapacitando o oponente. Atualmente sou praticante do Aikido por um motivo bastante simples, é uma atividade física muito benéfica e é uma arte marcial que me da a escolha de, ao me defender ou a outra pessoa, o fazer sem que eu precise machucar de qualquer maneira o meu oponente, preservando-lhe totalmente a vida e a integridade física. Concordo que os irmãos possam questionar as tradições de reverencia e costumes que as artes marciais trazem, e devem sim ser consideradas, mas muitas delas se tratam somente de etiqueta oriental, como o fato de se “sentar” de joelhos sobre os calcanhares e cumprimentar inclinando-se o corpo para frente. Já, no momento em que o sensei, por tradição, reverencia o quadro de Morihei Ueshiba, fundador do Aikido, e todos os demais alunos também o fazem, eu ignoro a imagem a nossa frente e repito baixo: “só ao Senhor Deus minha reverencia em nome de Jesus”, e sempre peço em oração que se houver qualquer influencia, que a armadura do Senhor me proteja. O aikido é uma arte totalmente defensiva e não pratica a agressão, mas a preservação do ser humano. E em todos os dojos que treinei, mesmo antes de me converter ao cristianismo, os professores sempre respeitaram os Cristãos.

  6. Boa noite pratico muay thay so por esporte estou me convertendo posso continuar ou tenho q parar de praticar muah thay agradeço desde ja.

  7. Sou Cristão, faixa preta de Karatê Shotokan, instrutor de lutas a 10 anos,formado em Educação Física e nunca vi problema em conciliar minha fé com as aulas de Karatê, vejo a arte marcial como uma ferramenta para o desenvolvimento do caráter, disciplina e saúde física dos praticantes, sem nenhum cunho espiritual, conscientizo meus alunos que a luta e a ultima alternativa em um confronto devendo ser utilizada apenas em caso de defesa pessoal

  8. Pratico judô há 6 anos, lá nós não separamos o físico do espiritual, pelo contrário, trabalhamos bastante os aspectos espirituais em bases bíblicas e cristãs, todas as quintas feiras nosso professor faz ensinamentos bíblicos e as vezes até eu mesmo levo a palavra de Deus.

  9. Bom dia, até dentro das denominações corremos o risco de recebermos falsos ensinos, e são muitos, porém quem prática a arte marcial com o cunho de esporte e preparo físico não há problema, o problema está em enveredar pela idolatria, isso depende muito da cademia, do professor e no caso de quem é MILITAR, é melhor ainda ,a pratica é recomendável tbm. Pratico o karate hâ vários anos e n mudei em nada, a não ser pra melhor, sou cristão e militar e sei separar bem os meus limites. Que Deus nos abençoe e nos dê discernimento pra entendermos principalmente que igreja é diferente de denominação e que podemos aproveitar bem sim a parte boa da vida sempre retendo o q é bom e o q é licito, vigiando e orando sempre. A PAZ DE CRISTO !

  10. Não vejo problemas. Pratico Taekwondo e sou pastor. Praticar essa arte significa educar o corpo e a mente, sem ofender e nem machucar as pessoas, mas defender a paz e bem. A defesa serve quando somos fisicamente atacados, mas a melhor defesa é não se envolver em brigas, etc.. e correr…. Meu instrutor é católico e fala sempre isso: correr. Só lembrando que a Bíblia fala do auto controle ou domínio próprio quando ressalta as obras do Espírito. Tudo, irmãos, está na intenção do coração. Tem pessoas fazendo coisas erradas, sem saber artes marciais; enquanto tem eu e você e tantas outras pessoas, praticando artes marciais e defendendo a não violência, a paz, o amor ao próximo e a salvação em Cristo Jesus. Deus nos abençoe e nos purifique de todo mal.

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