É ERRADO CELEBRAR O NATAL EM 25 DE DEZEMBRO?

Aldo Meneses

25 de dezembro. O nascimento do “Sol Invencível”

Originalmente, o Natal marcava a comemoração do nascimento do deus persa Mitra. O Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invencível) era celebrado em 25 de dezembro, acompanhado de orgias sexuais e embriaguez. Porém, no século V d. C., a Igreja Cristã fixou essa data como sendo o nascimento de Jesus Cristo, já que ninguém sabia a data exata.

Devido a isso, pergunta-se: seria errado então que os cristãos celebrassem o 25 de dezembro em homenagem a Jesus Cristo? Necessariamente, não! Mesmo tendo uma origem pagã, acreditamos que o Natal é um acontecimento que deveria ser celebrado por todos os cristãos ao redor do mundo.  A principal razão para isso é a seguinte: Mitra, considerado pelos pagãos como o sol invencível, era uma divindade falsa. Querendo, porém resgatar os pagãos da idolatria, e conduzi-los para o reino de Deus, a Igreja proclamou Jesus Cristo, o Salvador, era o Sol Invencível. Para isso, a Igreja reportou-se a uma antiga profecia messiânica, proclamada pelo profeta Malaquias: Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas… (Malaquias 4:2). Mitra oferecia apenas prazeres terrenos e momentâneos, ao passo que Jesus oferecia o seu reino, que, nas palavras do apóstolo Paulo, não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria, no Espírito Santo (Romanos 14:17), ou seja, o real prazer não se prende exclusivamente às satisfações carnais, mas deve ser acompanhado de uma espiritualidade que envolva o Espírito Santo, que glorifica a Jesus (João 16:14), que por sua vez, glorifica ao Pai (João 17:1). Assim, o cristão não viverá para si mesmo, para a satisfação de seus próprios prazeres egoístas, mas também viverá para Deus, aprendendo a amá-lo, a amar seu próximo, bem como amar a si mesmo, procurando viver uma vida justa, pacífica e alegre.

A Igreja, portanto, cumpriu seu papel de ser “luz do mundo” (Mateus 5:14), levando a mensagem de salvação, através de Jesus Cristo, o Sol Invencível, aos que viviam entregues ao erro da idolatria e da imoralidade desenfreada. Afirmamos categoricamente, então, que a Igreja não foi paganizada nem se contaminou ao substituir a festa mitraica pelo nascimento de Jesus. Onde havia trevas, a Igreja fez brilhar a luz de Jesus.

Para entender melhor tudo isso, preste atenção no seguinte exemplo:

Ao Deus desconhecido

Relata a Bíblia que, em visita à cidade de Atenas, o apóstolo Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos. Mesmo indignado, o apóstolo não saiu pela cidade chutando aqueles ídolos, amarrando possíveis demônios territoriais ou dizendo que tudo aquilo era coisa do “demo”. Sua atitude foi sensata e inteligente. Quando houve oportunidade, disse aos atenienses: Atenienses! Vejo que em todos os aspectos vocês são muito religiosos, pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio (Atos 17:16, 22-23). O resultado dessa sábia investida foi a conversão de alguns atenienses. Antes adoravam ao Deus desconhecido, a partir de então adorariam Jesus, aquele que, junto com o Pai e o Espírito Santo, um só Deus, é adorado pelos séculos dos séculos. Como disse Paulo: Pois Deus que disse: “Das trevas resplandeça a luz!”, ele mesmo brilhou em nossos corações, para nos dar a luz do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (2ª Coríntios 4:6).

Assim como Paulo usou o ídolo como ponte a fim de transmitir a mensagem do evangelho aos pagãos, do mesmo modo fez a Igreja no século V d. C., desviando a atenção das pessoas da adoração que se prestava a Mitra, guiando-as até Jesus, o único que é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor… pelos séculos dos séculos (Apocalipse 5:12-13). E qual foi o resultado da substituição estratégica da festa mitraica pelo nascimento de Jesus Cristo? O resultado positivo está no fato de que ninguém mais associa a data de 25 de dezembro a Mitra, mas a Jesus.  Mitra já foi esquecido, e faz muito, muito tempo. O Sol da Justiça nasceu numa pequena manjedoura, numa cidadezinha de pouca importância, não se sabendo exatamente a data de seu nascimento, mas o mundo inteiro conhece seu nome, e em sua homenagem foi dedicada a data de 25 de dezembro. Sim, Jesus veio, venceu, e dissipou as trevas da ignorância, provando que ele é verdadeiramente o Sol Invencível! – Apocalipse 17:14. (Leia a reafirmação da fé cristã, de acordo com o Credo Atanasiano, acerca da pessoa de Jesus Cristo).

Espalhando o espírito natalino

Convém lembrar que o Natal não é um artigo de fé, um dogma – embora sua importância não deva ser diminuída por causa disso – por isso, é preciso que haja um espírito de tolerância para com aquelas pessoa que não pensam como nós a esse respeito (é um direito inalienável que possuem). Podemos travar batalha no campo das idéias, certamente; mas nunca devemos levar o caso para o campo pessoal, destratando nosso próximo porque diverge de nós em aspectos secundários de nossa fé. Todavia, é lamentável que, mesmo sinceras, estas pessoas não consigam enxergar nesse episódio histórico a vitória esmagadora do Cristianismo sobre o paganismo, da adoração genuína sobre a idolatria. As únicas coisas que conseguem focalizar é a exploração do comércio em trono do Natal, a figura do “papai Noel” (que de fato nada tem a ver com o genuíno Natal), a glutonaria e a bebedice.

Ora, não negamos que haja estas distorções em trono do Natal. Contudo, se estas coisas constituem-se num problema, por que não promover o verdadeiro espírito do Natal? Que tal levar a mensagem de Cristo, que pede de nós que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos? Ele nos ensinou a partilhar tudo uns com os outros: amor, alegria, bens materiais, entre tantas outras coisas. Enfim, há muito que se dizer ao mundo acerca do verdadeiro Natal, que não se resume somente em comida e bebida, mas no reconhecimento de que Deus se fez homem na pessoa de Jesus de Nazaré, a fim de nos libertar do poder do pecado e da morte, dando-nos a vida e uma viva esperança, a saber, a de vivermos eternamente com Ele.

Enquanto houver cristãos equilibrados e cientes destes fatos, juntar-se-ão àquele anjo, que há dois mil anos bradou para que todos ouvissem alto e bom som a Boa Notícia que seria motivo de grande alegria para todos os povos:

Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é o Cristo, o Senhor.

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2 Comentários

  1. Muito bacana esse site “projeto crer” explicam de uma maneira bem simples e esclarecedora sobre evangelho, crenças
    É igualzinho ao programa “Um Toque de DEUS” PARABÉNS

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