Fonte:

NAÑEZ, Rick. Pentecostal de coração e mente. São Paulo. Editora Vida. 2007, p. 274-289.

Introdução

Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.

Apóstolo Pedro

Segundo o seu costume, Paulo foi à sinagoga e por três sábados discutiu com eles com base nas Escrituras, explicando e provando que o Cristo deveria sofrer e ressuscitar dentre os mortos.

Lucas, em Atos 17.

Existem pessoas que gastam a vida inteira sendo apologistas, elas gastam sua vida toda dando desculpas para as Escrituras.

Líder carismático-pentecostal

 Se o cristianismo não é digno de defesa, então o que é?

EDWARD JOHN CARNELL, apologista.

 Judas, o meio-irmão do nosso Senhor, originalmente pretendia escrever uma carta sobre a salvação que ele partilhava com seus leitores. Em vez disso, ele se sentiu compelido a redigir um memorando instigando os cristãos a lutarem pela fé contra aqueles que distorciam a autêntica mensagem de Jesus Cristo e a ajudar aqueles que haviam caído no marasmo espiritual. Judas escreveu sobre homens irracionais que rejeitam a autoridade, mercenários arrogantes, andarilhos interesseiros, sem raízes, ostentadores, escarnecedores, céticos e bajuladores (Jd 8, 10-12, 16, 18 e 22). Suas orientações positivas lutavam pela verdade, respondiam aos céticos e duvidosos e tiravam outros do fogo, salvando-os. A discussão em favor da fé (a polêmica) e a defesa da fé (apologética) eram invariavelmente caras e familiares ao exército apostólico de Deus.

 DEFININDO APOLOGÉTICA

O significado comum do termo “apologia” é “discurso ou texto em que se defende, justifica ou elogia”.[1] No sentido bíblico, uma “apologia” é a defesa racional da fé cristã. Paulo, em sua carta aos Filipenses, fala de si mesmo como tendo sido levado a Roma “para defesa do evangelho” (Fp 1.7,16). Pedro também insta aqueles que se encontram em território hostil a estarem “sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança” (1Pe 3.15). Em ambos os casos a palavra em itálico é a tradução do termo grego “apologia”, que significa “um discurso em defesa de alguma coisa”. Dessa forma, a apologética cristã significa dar respostas. Eis a questão essencial: “é possível defender o cristianismo racionalmente?”.[2]

Como vimos, a tarefa da teologia é resumir o conteúdo do ensino bíblico sobre os vários assuntos relacionados a Deus e à humanidade. Já a tarefa da apologética é demonstrar a autenticidade desses ensinos. Como todo esforço intelectual dedicado à exposição da fé, a apologética é um ato de combate espiritual. É muito fácil dar respostas elementares aos céticos ou alegar expulsar uma legião de espíritos ameaçadores, mas o preparo para oferecer respostas hábeis a perguntas primorosas relacionadas à nossa fé exige muito estudo, disciplina e paciência. Visto que os cristãos modernos se inclinam preferencialmente para as soluções rápidas, a competência em apologética é relativamente rara em nosso movimento. Não é tarefa fácil combater pelas almas humanas. Como povo do Espírito e do poder, devemos ouvir o que o Espírito diz sobre a defesa da fé e confiar em Deus para o poder de negar-nos a nós mesmos à medida que nos preparamos para dar respostas satisfatórias àqueles que nos fazem perguntas significativas.

PRESERVANDO A DEFESA DA FÉ

Se Deus é grande o suficiente para se defender, se os cristãos possuem o poder de Cristo, se nosso Pai colocará em nossos lábios as palavras quando precisarmos delas, e se muitos aceitam a Cristo sem o auxílio da apologética, por que então devemos dedicar nosso precioso tempo a fim de buscar respostas racionais a indagações a respeito do Cristianismo? A resposta mais clara é que Deus ordena que o façamos. Embora haja outras inúmeras razões, essa determinaria o assunto; contudo, para muitos, ela não basta. A estes, portanto, cabe a tarefa de argumentar com Deus sobre o motivo pelo qual ele nos ordena que nos envolvamos com seres humanos perdidos para lhes dizer o que se espera deles. Considero ainda muito embaraçoso o fato de que muitos dos que se recusam a se preparar para defender sua fé esperam, no entanto, que os apologistas dêem respostas racionais satisfatórias de competência apologética. De acordo com o espírito da apologética, quero apresentar as razões pelas quais todo cristão deve estar preparado para defender a fé:

(1) No Antigo Testamento, Moisés e os profetas usaram medidas de defesa quando confrontados com o mundo pagão. A revelação de Deus era como uma verdade ilhada no tumultuado mar do pensamento pagão. Tem-se chamado atenção ao fato de que Gênesis 1.1 seja talvez o resumo dos exemplos bíblicos da técnica apologética. De uma só vez, esse versículo refuta todos os pontos de vista heréticos e pagãos sobre a origem da vida que prevaleciam no mundo antigo.[3] Ainda hoje, o ateísmo, o politeísmo, o naturalismo, o humanismo e o evolucionismo são desafiados por esse único versículo. De certo modo, as 1.400 páginas seguintes da Bíblia atuam como provas que validam essa proposição magistral.

Além disso, os profetas recorriam repetidas vezes aos fatos da história, às profecias, à criação, à lógica cuidadosa e à providência, a fim de persuadirem outras nações. Argumentos muito consistentes se espalham por todo o Pentateuco, nos Salmos e nos livros proféticos, apontando para a existência de Deus e reafirmando a responsabilidade final da humanidade para com seu Criador. O argumento prolongado ao estilo socrático apresentado pelo próprio Deus contra as objeções de Jó (Jó 38-41) é um ótimo exemplo para fazer calar a mente cética por meio das flechas penetrantes da lógica.

 (2) Jesus foi um pensador magistral e fez uso de muitas estratégias apologéticas. Por meio de milagres, da lógica e do debate, ele devolvia a pergunta aos seus questionadores. O evangelho também revela que o Messias estava completamente familiarizado com as incorreções doutrinárias e filosóficas dos fariseus e saduceus. Ele era capaz de apontar as falhas, mostrando não somente que eles estavam errados, mas onde erravam (ver Mt 21.23-27; 22.15-46; Lc 13.10-16; 18.2-8; Jo 5; 7.21-23; 8). Ele também fez uso de argumentação inteligente em suas parábolas, fundamentando tão bem sua exposição que seus inimigos freqüentemente acabavam frustrados e furiosos. Sua habilidade de argumentação, sua ênfase no intelecto e seu desejo e capacidade de dar boas respostas a perguntas controvertidas e difíceis estão muito bem resumidos nas narrativas dos evangelhos que registram as discussões entre Jesus, os fariseus, os herodianos e os saduceus. Observemos o exemplo abaixo:

Ao ouvirem dizer que Jesus havia deixado os saduceus sem resposta, os fariseus se reuniram. Um deles, perito na lei, o pôs à prova com esta pergunta: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”. Respondeu Jesus: ”Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (Mt 22.34-37, grifos do autor).

(3) As cartas de Paulo estão repletas de ilustrações, argumentos lógicos, exemplos históricos e réplicas argumentativas que se dirigem às acusações, às dúvidas e ao falso raciocínio dos céticos. Uma rápida olhada no livro de Atos nos dá testemunho dos seus métodos missionários apologéticos. Lucas escreve que era costume de Paulo convencer pela lógica, explicar, provar, debater, persuadir, defender, refutar, argumentar e discutir à medida que se empenhava em evangelizar o rebanho rebelde e incrédulo de Israel, bem como os pensantes, embora céticos, gregos (At 17.2-4,11,12,16-34; 18.4-13,9,28; 19.8-10; 22.1; 25.16).

Embora a falsidade tivesse envenenado a mente humana (cf. At 14.2), Paulo fazia seus discursos com razão penetrante. Onde os intelectos curiosos “examinavam as Escrituras Sagradas” para determinar se Paulo dizia a verdade (17.11), o apóstolo continuava a afirmar de todas as formas a harmonia entre o Novo e o Antigo Testamentos. Onde os céticos procuravam desacreditar o evangelho de Cristo, Paulo buscava, por sua vez, destruir suas mentiras com argumentos bem fundamentados. Sem dúvida, ele reconhecia a ligação peculiar entre as almas perdidas, o temor da morte, o poder de Deus e o emprego da persuasão. Como ele afirma em 2Coríntios 5.11, “Uma vez que conhecemos o temor ao Senhor, procuramos persuadir os homens”.

(4) Os escritos do Novo Testamento instruem seus seguidores a defender a fé. Na sua segunda carta para a igreja carismática em Corinto, Paulo desafia os coríntios a travarem uma guerra espiritual por meio de argumentos demolidores e a lidarem com as falsas afirmações opostas ao ensino bíblico. O combate a que Paulo se refere acontece no campo do pensamento e da argumentação: “Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo (2Co 10:5)”. À medida que os cristãos dão respostas dignas aos sagazes críticos e às almas sedentas estão, indubitavelmente, seguindo Paulo, assim como Paulo seguiu a Cristo (1Co 11:1).

Paulo usa em Tito 1:9 a terminologia apologética para instruir os líderes da igreja sobre como “refutar os que se opõem” à sã doutrina. A palavra “refutar” (elencho) significa simplesmente “persuadir por meio de argumentos”. Paulo desempenhou essa tarefa por dois anos no auditório efésio de Tirano, onde refutou os obstinados e mentoreou os ensináveis de tal modo que todos aqueles que viviam na província da Ásia ouviram a mensagem e a sua defesa (At 19.9,10).

(5) O endosso bíblico mais conhecido da apologética encontra-se em 1Pedro 3.15. Nessa passagem, Pedro ordena os cristãos a estarem “sempre preparados para responder” ou defender, “a todo aquele que vos pedir razão” ou explicação lógica, “da esperança que há em vós”. O verbo “pedir a razão” ou “perguntar” (aiteo) indica perguntas que ocorriam na conversação cotidiana, não em um tribunal. As palavras chaves “sempre” e “a todos” indicam o escopo de tempo e de influência para a atividade apologética. Em outras palavras, todos os cristãos devem se preparar para responder a quaisquer perguntas feitas por quaisquer pessoas a qualquer tempo e sob quaisquer circunstâncias e, o mais importante, isso deve ser feito com mansidão e respeito!

(6) Os pais da Igreja assumiram a função de apologistas dos apóstolos e dos escritores do Novo Testamento. De fato, o segundo século d.C. é chamado de “Era dos Apologistas”.[4] À medida que o cristianismo se espalhou das fronteiras da Palestina para as áreas mais remotas do Império Romano, encontrou todos os tipos de oposição. A igreja que estava em crescimento defrontou-se com falsas filosofias, religiões pagãs, pensamento humanista, decretos imperiais, singularidades das culturas e constrangimentos de todos os tipos. Em resposta, os profetas guerreiros patrísticos que permaneceram fiéis ao exemplo dos apóstolos ergueram-se para defender o cristianismo contra as acusações injustas que terminaram em perseguição e martírio.

Quadratus (120 d.C.) escreveu ao imperador Adriano, defendendo a superioridade da fé cristã em comparação com os cultos pagão e judeu. Aristides (130 d.C.) descreveu o único Deus verdadeiro e mostrou como os conceitos dos caldeus, gregos e egípcios sobre divindade eram inferiores aos do cristianismo. Justino Mártir (100-165) escreveu Contra Heresias, no qual combateu o hedonismo e o gnosticismo. Atenágoras defendeu a ressurreição de Cristo, Taciano (110-172) demonstrou a harmonia entre os evangelhos e Orígenes (185-254) demonstrou a superioridade da narrativa da criação sobre as insuficiências das cosmologias alternativas. Outros digladiaram pela divindade de Cristo e pela inspiração das Escrituras. Eles lutaram contra o ateísmo, confrontaram o politeísmo e responderam às alegações de contradições tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Assim como seus antigos irmãos na fé, os santos do segundo século prepararam-se para responder àqueles que tentavam maliciosamente enterrar suas espadas de criticismo no peitoral dos justos, e ofereceram satisfação intelectual e espiritual aos muitos que pediam resoluções razoáveis para as dúvidas que os perseguiam. [5]

  •  Os seres humanos foram criados à semelhança do Deus que raciocina. Quando raciocinamos, explicamos, provamos, debatemos e damos bons argumentos, exibimos atributos outorgados por nosso Criador. Qual a melhor forma de usar o dom divino da razão que não seja apresentando dados satisfatórios da autenticidade de Cristo? Ao contrário do pensamento popular sobre dogma cristão, a fé não surge em uma mente vazia, e a razão e o conhecimento não são opostos à fé e à experiência; eles são aliados, não rivais. Eles permanecem juntos contra o pensamento irracional, os meros sentimentos, a superstição e o preconceito.

A fé na mensagem do evangelho não é motivo para abstenção da razão e o Espírito Santo não converte a alma sem fazer uso de nenhum dado. Portanto, um evangelho sem conteúdo está à beira de se tornar misticismo irracional, produzindo não somente “outro evangelho”, mas também cristãos híbridos cuja fé está firmemente arraigada no ar!  Pelo fato de o evangelho fazer sentido, e não ser irracional, [6] os cristãos são chamados para usar o raciocínio apologético, o que por sua vez reflete o caráter do seu Deus.

  • Os cristãos são obrigados a se inteirarem da apologética, pois os incrédulos têm algumas perguntas muito boas. Um inquiridor pode estar meramente procurando lacunas, usando uma cortina de fumaça, ou desafiando o cristianismo por esporte, ou ele pode estar sinceramente buscando alívio para uma dúvida agonizante. A despeito do motivo do questionamento, os cristãos devem ser capazes de fornecer respostas competentes e justas. Embora a apologética possa ganhar adeptos ao cristianismo, seu propósito principal é oferecer boas respostas a boas perguntas.
  • A apologética pode ajudar a eliminar barreiras para a fé e também a preparar a boa aceitação da mensagem de Jesus Cristo. Certamente a apologética não produz conversão; somente o Espírito Santo pode realizar tal feito pela Palavra compartilhada. Mas, ao demolir as objeções (não os opositores), o caminho pode ficar mais limpo para uma pessoa considerar o evangelho. Deus não fica desamparado sem os apologistas, mas ele escolheu nos usar para preparar o solo de almas humanas da mesma forma que ele nos usa para compartilhar a mensagem do próprio Cristo. Sem pregadores, ninguém ouvirá o evangelho (Rm 10.14,15), sem apologistas muitos ouvirão, mas alguns serão incapazes de absorver a verdade por causa das barreiras culturais e intelectuais. Estes são aqueles que necessitam de boas respostas para darem lugar à esperança em Cristo.

Se a técnica dos apologistas parece muito mundana ou carnal, considere o fato de que Deus usa nosso testemunho, uma música especial ou os atos de bondade do cotidiano para acabar com o orgulho e perfurar as almas lacradas da humanidade destinada ao inferno. Não ignoramos o fato de Deus fazer uso de gestos como assar uma torta para um vizinho solitário, cortar a grama para um cético rude ou cuidar de um bebê para uma mãe solteira que está em dificuldades. Deus usa cada um desses gestos de amor pré-evangelísticos para eliminar a hostilidade e para abrir o caminho para compartilhar o amor de Jesus. Se Deus pode usar esses meios ordinários, então ele certamente pode usar o extraordinário instrumento da apologética.

(10) A preparação para a defesa da fé pode encorajar os cristãos dando-lhes força e convicção. Isso não somente os ajuda a ver que sua fé pode suportar o teste dos críticos, mas também os auxilia a irem adiante à intimidante arena do testemunho pessoal e público. Além disso, quando em tempos de provas e dúvidas, de inconstância de sentimentos e de circunstâncias ameaçadoras, o fiel pode repelir a invasão pessoal de conspirações arraigadas na incerteza satânica. Isso produz uma fonte consistente de audácia para a vida e para o ministério.

(11)     A apologética é necessária, pois vivemos numa época em que vários conceitos modernos disputam e questionam a singularidade do cristianismo. O pós-modernismo, misturado com o secularismo, é talvez nosso desafio contemporâneo mais severo, pois obscurece o bom senso e causa danos à sanidade de muitos em nossa cultura. Embora não seja o mal em si mesmo, o pós-modernismo é portador de muitos conceitos fortes e perturbadores, pois freqüentemente abriga a falta de crença na verdade objetiva.

Para os pós-modernistas, a realidade constante e independente é rejeitada, a linguagem descritiva é relativa, a autoconsciência e auto-estima são fundamentais e, a religião, o mito e a ciência estão todos sob o mesmo guarda-chuva filosófico. No período de 1780-1960, a mentalidade ocidental procurou pela verdade na razão sem levar em conta a revelação, mas a maré mudou e muito! O pensamento irracional e caótico agora está em voga, o que significa essencialmente que todos são livres para interpretar a vida de acordo com a sua própria vontade naquele momento. Como um povo guiado pela intuição, devemos também prestar atenção, guardando nossas mentes contra a tempestade subjetivista e relativista do pensamento pós-moderno.

Além do mais, se a igreja de hoje não for cuidadosa, não conseguirá obter vantagem da única oportunidade evangelística a ela proporcionada pela síndrome pós-moderna. Em uma cultura de pluralismo religioso e relativismo moral, a base e a esperança de um Cristo eterno podem se tornar notavelmente atrativas. Enquanto a confusão, o desalento e a falta de significado gotejam da severa escuridão do pós-modernismo humanista, em seu lugar a ordem, o encorajamento e a significância irradiam de Jesus Cristo. Quando as trevas tornam-se mais escuras, a luz brilha mais intensamente. O dia está dentro de nós. Atire suas asas ao vento, prepare-se para esquadrinhar os corações das massas pós-modernas e permita sua luz apologética brilhar em uma cultura progressivamente escurecida!

(12) A prática da apologética é valiosa também, pois já ajudou muitos a entrarem no Reino de Deus. Desde a igreja primitiva podemos encontrar um rastro consistente das almas antes errantes e incoerentes que, por meio dos esforços apologéticos de testemunhas fiéis, depositaram sua esperança no Filho de Deus. Desde Justino Mártir (130 d.C.) até Frank Morison em 1930, muitos daqueles que procuraram a verdade apontam a apologética como a escola mestre que os levaram à conversão.

Considere os seguintes homens de fé que se entregaram a Cristo depois de terem suas objeções contra o cristianismo quebradas:

  • S. Lewis rendeu sua vida a Deus depois de ler a defesa de Chesterton da primazia de Cristo em The Everlasting Man [O homem eterno];
  • Chuck Colson, logo após o escândalo Watergate, entregou-se ao Senhor como conseqüência da leitura da obra apologética de Lewis Mere Christianity;
  • Viggo Olsen, doutor em medicina, lançou-se em um estudo profundo do cristianismo com a intenção de derrubar os seus paradigmas. Depois de pesquisar incontáveis volumes de obras apologéticas, tanto ele quanto sua esposa entregaram o coração ao Salvador;
  • Lee Strobel, autor de Em defesa de Cristo, converteu-se como resultado da sua tentativa de destronar as reivindicações de Cristo;[7]
  • John Warwick Montgomery, apologista e professor de direito, foi levado a Cristo pelo contínuo testemunho de um colega de quarto da faculdade. Ele alimentou Montgomery com uma dieta saudável dos melhores e mais recentes materiais apologéticos disponíveis;
  • Frank Morison, que escreveu o clássico volume Who Moved the Stone? [Quem moveu a pedra?], estava determinado a provar que a ressurreição de Cristo não passava de um mito. A sua pesquisa profunda, contudo, o levou a uma fé inabalável;
  • Finalmente, Josh McDowell, um dos mais notáveis defensores modernos da fé, assim como Olson, Morison e Strobel, estava determinado a apontar os erros do cristianismo. No decorrer de sua aventura foi persuadido de que as Escrituras eram dignas de confiança e entregou seu coração antes cético Àquele que ele descobriu ser mais que um carpinteiro.[8]

Esses exemplos não deveriam ser surpresa para os que estão familiarizados com o livro de Atos. Em Tessalônica, Paulo discutia com eles com base nas Escrituras, explicando e provando a realidade e o significado da morte e ressurreição de Cristo (At 17.2-5). Os bereanos também pesaram as evidências diante deles (17.11,12). Em Atenas, Paulo citou os filósofos e poetas gregos e usou argumentos sobre a criação, a fraternidade humana, os anseios religiosos e a ressurreição (17.16-34). Em Corinto, ele pregou, testemunhou, persuadiu e argumentou com seus habitantes (18.4,5,8,13,19). Em cada um destes casos, vemos muitas almas entregarem a direção de suas vidas para Jesus Cristo, como conseqüência de um ministério enriquecido pela apologética.

TEMOS RESPOSTAS?

Permita-me apresentar um punhado de questões práticas que clamam por um discurso apologético estimulante hoje:

  • Como você sabe que a verdade existe?
  • Como você sabe que existe um Deus?
  • Se Deus é tão bom, então por que ele criou o demônio e pessoas tão más?
  • Se Deus é bom, como ele pode mandar as pessoas para o inferno para sempre?
  • Se Deus conhece o futuro, então por que ele não o muda?
  • Se seres humanos escreveram a Bíblia, então como podemos ter certeza de que eles não cometeram erros?
  • Se Deus escolhe que livros devem estar na Bíblia, como sabemos que ele os escolheu?
  • Tenho um livro que aponta milhares de erros na Bíblia. O que você tem a dizer sobre isso?
  • Se Jesus era Deus e morreu, então Deus morreu?
  • Por que a Bíblia mudou tanto no decorrer da história?
  • Deus pode fazer novas revelações hoje? Se sim, elas equivalem às Escrituras?
  • Se Deus deseja que todos sejam salvos, ele continua no comando se não consegue o que quer?
  • Se há centenas de interpretações bíblicas, como podemos dizer qual é a certa?

Deu para pegar o espírito da coisa? Há centenas de boas perguntas feitas não apenas por céticos e críticos, mas também por cristãos pensantes. O debate criação-evolução por si só já levanta uma multidão de questionamentos intrigantes. Cada heresia, cada dificuldade na Bíblia e cada  discrepância alegada fornece munição abundante para o membro de seita ou para o questionador sincero. O pragmatismo, o pluralismo, o secularismo e o pós-modernismo, cada um deles levanta sua própria legião de controvérsias intrincadas e do fundo da alma. E quando levamos em consideração as mais recentes e problemáticas áreas nos campos da medicina, ciência, tecnologia, espaço cibernético e bioética, a arena se expande de modo exponencial.

Em uma atmosfera tão complexa, devemos ser cuidadosos quanto aos nossos fatos, atitudes e respostas. Muitos que alegam ter respostas, meramente retrocedem a um raciocínio vicioso ou não oferecem nada mais que réplicas mordazes simplistas e desgastadas, que ficam muito aquém de se qualificarem como soluções satisfatórias. O autoritarismo, as crenças dogmáticas, mas não-comprovadas, e as respostas emotivas não são apropriadas aos soldados de Cristo. Somos chamados para demolir os argumentos, cingir os lombos de nossa mente, estudar para nos apresentarmos aprovados e nos preparar para darmos respostas de primeira qualidade a grandes perguntas. À medida que nos exercitarmos nesta capacidade com humildade, compaixão e bondade, não apenas obedeceremos ao chamado apologético de nosso Mestre, mas glorificaremos a Deus, refletindo sua mente, seu amor e sua sabedoria diante daqueles que estão desesperadamente necessitados de um Salvador.

[1]Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (N. do E.).

[2]Colin Brown. New lnternational Dictionary of New Testament Theology, 1:51.

[3]Henry Morris. The Genesis Record. Grand Rapids: Baker, 1976, p. 37-8.

[4]F. F. Bruce. The Defense of the Gospel in the New Testament. Leicester: InterVarsity Press, 1977, p. vii.

[5]Robert Grant. Greek Apologists of the Second Century. Philadelphia: Westminster, 1988, p. 34-175; David W. Bercot. A Dictionary of Early Christian Beliefs. Peabody: Hendrikson, 1998, p. 265.

[6]Embora seja sim, nas palavras de Kierkegaard, supra-racional [N. do R.].

[7]Viggo Olsen. Daktar: Diplomat in Bangladesh. Grand Rapids: Kregel, 1996; Lee Strobel. Prefácio de R. C. Sproul, in: Reason to Believe, Grand Rapids: Zondervan, 1978, p. 6-7; idem, The Case for Christ, Grand Rapids: Zondervan, 1998, p. 13-5. A editora Zondervan tem em seu arquivo muitas cartas de pessoas que alcançaram a salvação em Jesus Cristo como resultado da leitura do The Case for Christ.

[8]John Warwick Montgomery. Evidence for Faith. Dallas: Probe Books, 1991, p. 9-11; Frank Morison. Who Moved the Stone? London: Faber and Faber, 1972; Josh McDowell. The Best of Josh McDoweIl, Nashville: Nelson, 1993, p. 13-19.

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